Don’t kill the golden goose – Malcolm McLaren
Dez anos antes dos Menudos, Dominós e afins, Malcolm Mclaren lançou a 1a. Boy Band da história musical: os Sex Pistols.
Sinto jogar por terra o sonho idealista de que o Punk Rock foi um movimento de rebeldia e anarquia, gerado naturalmente, como uma resposta da juventude inglesa da década de 70 à repressão da sociedade, dos pais e da Rainha.
Não foi.
Pelo contrário, foi um movimento meticulosamente planejado e calculado para parecer isso. Figurinos, letras, escândalos, todos eles desenhados e arquitetados pelo gênio manipulador McLaren. E ele era um craque nisso.
Não entendia nada de música. Entendia tudo de como chamar atenção da mídia.
Sabe por que ele criou os Pistols?
Para promover sua loja de roupas e acessórios de Rock chamada SEX. Foi exatamente aí que nasceu a 1a. Boy Band que o mundo tem notícia.
Tudo era planejado, premeditado, modificado para causar o impacto desejado.
Tudo mesmo! Desde os nomes (John Lydon virou Johnny Rotten, por exemplo) até os escândalos, passando pela letra das músicas, onde McLaren dava o tom certo de rebeldia de inconsequência que queria como imagem da banda. Alfinetes e tachinhas nos lugares certos para criar a estética punk, com ajuda da sua mulher na época, a estilista Vivienne Westwood. Acho que até o tipo de drogas consumidas pela banda era definido pelo Mr. Punk.
Sid Vicious era um caso à parte. Um “baixista” que não sabia tocar baixo! Mas compensava com seu estilo e atitude. Era o que bastava para McLaren. Durante os shows um baixista de verdade tocava atrás do palco enquanto Sid literalmente fazia pose. Poser, alguém?
Daí pra frente, a história é conhecida: Escândalos, violência, vexames, abuso de substâncias ilícitas (Sid morreu de overdose), etc. Roteiro seguido por um sem número de bandas sem criatividade subsequentes.
O pai do Punk não resistiu ao câncer e juntou-se a Sid na semana passada.
Seu mérito sobre o impacto cultural gerado por sua “obra” é indiscutível. A aura de rebeldia que o conceito “Punk” tem, persiste até hoje.
Pensei em contar essa história neste final-de-semana, quando vi um jovem de uns 20 anos, com uma camiseta “Nevermind the Bollocks”, jaqueta de couro e calça jeans. Todo montado, parecia até um punk de verdade. O engraçado é que o jovem em questão estava na fila do cinema de um shopping, para assistir a um filme infantil, sozinho. Não me pareceu uma atitude muito punk. Talvez ele estivesse à caminho de uma festa à fantasia, sei lá.
E tem gente que ainda chama o Billy Idol de punk de botique…
Conheça um pouco mais do mago McLaren neste vídeo. Enjoy it!
