Coisas muito interessantes acontecem quando se junta o melhor de 2 mundos aparentemente distantes e até opostos.
Isso está acontecendo agora, com o mundo capitalista / corporativo, das empresas e bancos, da forte estrutura hierárquica, eficiência, retorno, metas, objetivos, cotas a serem atingidas e da necessidade de crescimento incessante dos lucros e do mundo do terceiro setor, com seus projetos sociais, preocupação mais ampla com o lado humanitário e nem tanto com a produtividade e eficiência de seus investimentos, porém com necessidade incessante de recursos para tirar seus projetos do papel.
O mais visível exemplo disso é a Bill & Melinda Gates Foundation.

Em Julho de 2008, Bill Gates, começou seu período de dedicação integral à Fundação, que existe deste 1994 e começou sendo tocada por seu pai (veja mais aqui), deixando atividades diárias na Microsoft.
Gates é figura carimbada na história do mundo dos negócios, tecnologia e capitalismo por todo o impacto que a Microsoft e seus produtos tiveram e tem em mais de 1 Bilhão de pessoas todos os dias. Mas parece que ele quer entrar na história como o maior humanitário dos nossos tempos também.
Para tornar isso realidade, ele estruturou a Fundação de forma muito similar a uma empresa do “Segundo Setor”, com clara visão e missão, forte estrutura hierárquica, objetivos audaciosos, métricas de todos os tipos, detalhados planos de ação, foco em transparência na apresentação de resultados, além de um board e time executivo renomado.
No ano passado, chamou Jeff Raikes para ser o CEO da Fundação. Raikes teve uma carreira brilhante de quase 30 anos na Microsoft e foi um dos líderes responsáveis por uma das franquias de maior sucesso da empresa, o Office, entre outros destaques. Warren Buffet, maior investidor do mundo também faz parte do time e foi o maior doador da fundação, além da família Gates. Quase 30 Bilhões de dólares, que são pagos em parcelas anuais, vinculados a resultados.
Toda a experiência de Gates no mundo dos negócios, um time executivo de primeira linha, recursos quase ilimitados (32 Bilhões de dólares em caixa no último balanço) e rápidos resultados alcançados em diversas áreas, fizeram com que a Bill & Melinda Gates Foundation se tornasse referência para outras Fundações e ONGs no mundo todo, acelerando a profissionalização do Terceiro Setor.
O trabalho de Bill e Melinda à frente da Fundação garantiu o título de “Pessoa do Ano” da revista Time em 2005 para eles, junto de Bono.
Uma história menos conhecida, mas de forma alguma menos importante, é a da brasileira Daniela Barone, à frente da ONG Impetus Trusts, em Londres.
Daniela, economista, com MBA em Harvard, foi executiva do mercado financeiro por anos, trabalhando em bancos de investimento no Brasil e no exterior antes de focar seus esforços e experiência do Terceiro Setor, seguindo o seu sonho.
Aplicando conceitos de gestão de fundos de investimento e administração profissional de negócios, Daniela e seu time tem profissionalizado o Terceiro Setor na Inglaterra. Essa abordagem voltada à eficiência, retorno e resultados tem dado resultado. Os números mostram que as ONGs que receberam os investimentos e técnicas administrativas da Impetus aumentaram em 53% seu impacto social. Um mundo ajudando o outro na prática.
Daniela já recebeu alguns prêmios pelo seu impacto na sociedade. O de maior notoriedade foi a premiação do renomado jornal inglês The Independent, como uma das 100 pessoas que fazem o Reino Unido um lugar mais feliz.
Os conceitos capitalistas estão ajudando, e muito, o mundo e a sociedade a alcançar mais pessoas e de forma mais eficiente. E o “choque dos mundos” neste caso tem um impacto altamente positivo e dá maior otimismo para quem trabalha e aspira por um mundo mais decente e menos cruel para se viver.
Enquanto pensamos em como nós também podemos causar impacto positivo com nossa experiência ou trabalho, indenpendente da área ou histórico pessoal, veja abaixo a visão de Melinda Gates na abertura de uma conferência sobre AIDS em Toronto, Canadá. Enjoy!
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