As pessoas produzem o seu melhor quando conseguem se livrar do medo.
Pense naquela pessoa que cumpre seus últimos dias na empresa depois de ter decidido sair ou de ter sido mandada embora. Já reparou como fica mais assertiva? Mais produtiva? Produz mais e melhor por estar livre do seu maior medo:ser mandada embora (afinal, já foi!). Não tem mais nada a perder. Sem esse medo, ela se liberta e mostra seu real potencial. Que ironia. Se ela se comportasse assim desde o início nunca seria cogitada para deixar a empresa …
Esse clip do James, banda inglesa de sucesso nos anos 90 e 2000, mostra isso claramente.
Esta é a última música do último show de James, em sua cidade natal, Manchester, em 2001. Foi o melhor show da carreira deles. Tocar sem medo fez com que executassem o melhor show e produzissem a melhor versão do hit Sit Down.
James acabou com a saída de Tom Booth, líder e vocalista, que usou a desculpa de sempre “projetos pessoais” para deixar os companheiros.
Se você prestar atenção, verá que o final da banda foi bem doído.
Tim Booth começa anunciando “All right, this really has to be the last one” e coloca uma camiseta que diz “James lasts”, ou “James continua”.
Os acordes tensos do teclado de Mark Hunter no início da música extendem-se por muito mais tempo que o normal, atrasando a entrada da voz, como se quisesse prolongar ao máximo aquele momento, retardando o fim da banda, mesmo que por apenas alguns minutos.
A platéia hipnotizada começa a música cantando junto com Tim. Ele coloca a alma em trechos como “Secrets I can’t keep”,“I swing from high to deep, extremes of sweet and sour“, “Hope that God exists, I hope, I pray” como se esse fosse o sentimento real dele naquele exato instante.
“It’s hard to carry on when you feel all alone”, com Tim litealmente sozinho e agachado no palco leva os fãs ao delírio. Eles pulam juntos durante o refrão.
Aos 4:20′, num raro momento de auto-ironia ele levanta a mão, declarando-se “culpado”, durante o trecho “Those who find themselves ridiculous, sit down next to me”.
O final é emblemático e igualmente melancólico, com Tim agradecendo o público e saindo sozinho, enquanto os demais membros da banda trocam abraços, bastante emocionados depois de uma performance épica.
Pense nisso: A melhor versão já executada da música foi também a ÚLTIMA. Essa é a lição: não deixe que o seu melhor ato seja o último. Livre-se do medo e faça dele o PRIMEIRO!
Dez anos antes dos Menudos, Dominós e afins, Malcolm Mclaren lançou a 1a. Boy Band da história musical: os Sex Pistols.
Sinto jogar por terra o sonho idealista de que o Punk Rock foi um movimento de rebeldia e anarquia, gerado naturalmente, como uma resposta da juventude inglesa da década de 70 à repressão da sociedade, dos pais e da Rainha.
Não foi.
Pelo contrário, foi um movimento meticulosamente planejado e calculado para parecer isso. Figurinos, letras, escândalos, todos eles desenhados e arquitetados pelo gênio manipulador McLaren. E ele era um craque nisso.
Não entendia nada de música. Entendia tudo de como chamar atenção da mídia.
Sabe por que ele criou os Pistols?
Para promover sua loja de roupas e acessórios de Rock chamada SEX. Foi exatamente aí que nasceu a 1a. Boy Band que o mundo tem notícia.
Tudo era planejado, premeditado, modificado para causar o impacto desejado.
Tudo mesmo! Desde os nomes (John Lydon virou Johnny Rotten, por exemplo) até os escândalos, passando pela letra das músicas, onde McLaren dava o tom certo de rebeldia de inconsequência que queria como imagem da banda. Alfinetes e tachinhas nos lugares certos para criar a estética punk, com ajuda da sua mulher na época, a estilista Vivienne Westwood. Acho que até o tipo de drogas consumidas pela banda era definido pelo Mr. Punk.
Sid Vicious era um caso à parte. Um “baixista” que não sabia tocar baixo! Mas compensava com seu estilo e atitude. Era o que bastava para McLaren. Durante os shows um baixista de verdade tocava atrás do palco enquanto Sid literalmente fazia pose. Poser, alguém?
Daí pra frente, a história é conhecida: Escândalos, violência, vexames, abuso de substâncias ilícitas (Sid morreu de overdose), etc. Roteiro seguido por um sem número de bandas sem criatividade subsequentes.
O pai do Punk não resistiu ao câncer e juntou-se a Sid na semana passada.
Seu mérito sobre o impacto cultural gerado por sua “obra” é indiscutível. A aura de rebeldia que o conceito “Punk” tem, persiste até hoje.
Pensei em contar essa história neste final-de-semana, quando vi um jovem de uns 20 anos, com uma camiseta “Nevermind the Bollocks”, jaqueta de couro e calça jeans. Todo montado, parecia até um punk de verdade. O engraçado é que o jovem em questão estava na fila do cinema de um shopping, para assistir a um filme infantil, sozinho. Não me pareceu uma atitude muito punk. Talvez ele estivesse à caminho de uma festa à fantasia, sei lá.
E tem gente que ainda chama o Billy Idol de punk de botique…
Conheça um pouco mais do mago McLaren neste vídeo. Enjoy it!
“Harder than Bond, cooler than bullet” era a chamada para o filme Shaft em 1971.
Forte impulsionador do movimento Blaxpoitation no início da década de 70, Shaftveio para trazer moral à audiência negra com seu estilo, sua presença e pavio curto.
Dizer que Shaft era um James Bond negro é simplificar demais. Era também um detetive, mas tinha muito mais mojo que o personagem de Ian Flemming.
O privilégio de interpretar John Shaft foi concedido a Richard Roundtree, que mandou bem e emplacou 2 sequências do filme (“Shaft’s Big Score” e “Shaft in Africa”), uma série para TV e, em 2000 um novo filme, onde ele interpretou o Tio de Shaft, que foi feito por Samuel Jackson. Mais recentemente, Richard conseguiu uma ponta como um Detetive safado em Desperate Housewives.
Trilha sonora
A música tema de Isaac Hayes é um capítulo à parte.
Soul de primeiríssima qualidade, seus riffs de guitarra foram “inspiração” para diversas séries policiais nos anos 70 e 80. Baixo e metais de personalidade criam a sonoridade inconfundível. Me lembro bem da música na abertura do seriado na TV no Brasil. As memórias dos episódios, por outro lado, não são tão claras. Só me lembro que ele nem sempre resolvia o caso a contento, mas sempre se dava bem com a mulherada.
A letra começa mostrando a que veio: “Who’s the black private dick, that’s a sex machine to all the chicks? Shaft” E termina colocando uma aura de mistério no detetive:“He’s a complicated man, but no one understands him but his woman”
Essa obra prima foi coroada com o Oscar de melhor música original, além de 2 Grammys. Mais que merecido! Até os dias de hoje vemos diversas referências à Shaft, desde os Simpsons a Two and a half men.
Curiosidade: Entre 1997 e 2005 Isaac, o “Black Moses”, foi a voz do Chef de South Park. Cool!
Shaft foi um divisor de águas para a comunidade negra e para o Blaxpoitation como um todo. O filme original foi tão impactante para a época até selecionado pelo National Film Registry nos EUA como culturalmente e historicamente significante para a sociedade americana.
Confira o trailer do filme original. “Can you dig it?”
Em 79 eu tinha 4 anos, Mark Knopfler ainda tinha cabelo e já tocava muita guitarra!
E, em 79, surgiu a melhor versão de Lady Writer, num dos primeiros shows dos Dire Straits – RockPalast, para pouquíssimos privilegiados.
A formação ainda era a original, com seu irmão David na outra guitarra e John IIIsler no baixo. Este último originalmente era guitarrista, mas teve que mudar de instrumento com o talento claramente superior dos irmãos Knopfler.
Claro que a guitarra é parte fundamental de quase todas as músicas do Dire Straits (exceto Your latest trick, onde o sax rouba a cena), mas é impressionante como o estilo fingerpicking de Mark e certo despojamento faz parecer ser fácil tocar com tanta qualidade e estilo. Chega a dar raiva.
Aqui também teve início o hábito de Mark em beber chá durante os shows. Só não me pergunte o que tinha no chá, porque ele não pára de pular, repare.
Essa é mais uma das letras com certo ar de mistério deles. Ninguém nunca descobriu de verdade quem é a famosa “Lady Writer”.
De todas as coisas boas do show da turnê “Return of the Champions” do Queen, o que mais me surpreendeu foi a performance de Roger Taylor, o baterista.
O ponto alto de sua performance foi o solo de bateria.
A bateria começa a ser desmontada enquanto ele toca e as peças são levadas para o centro do palco. Detalhe: Taylor não pára de tocar em nenhum momento, ele vai tirando um ótimo som das peças restantes, enquanto a bateria é remontada e ele retoma seu solo normalmente. Incrível sincronia e talento!
Em “Radio Ga Ga”, Taylor fica totalmente à vontade como o centro das atenções no palco, cantando, gesticulando e interagindo com o público.
No meio da música, chama Paul Rogers, ex-vocalista do Bad Company e Free, que entra com potência e justifica o apelido de “The Voice”. Rogers chega chegando, enquanto Taylor assume sua posição na bateria.
O refrão cantado em uníssono e com o público batendo palmas sincronizadas por cima da cabeça é de arrepiar. Em São Paulo foi assim.
Neste turnê, na minha opinião, vimos a melhor versão deste clássico atemporal.
Escrita pelo próprio Roger Taylor, Radio Ga Ga foi lançada em 84, no álbum The Works e chegou ao #2 nas paradas do Reino Unido.
O nome original era Radio Ca Ca, supostamente um som emitido pro seu filho.
Como Ca Ca tem uma sonoridade ofensiva em alguns idiomas (precisa explicar?), resolveram trocar por Ga Ga, que soa melhor. E colou.
A música é uma ode ao Rádio e seu poder de comunicação e mobilização das pessoas.
Dá para isso observar em diversos trechos da música, como “And everything I had to know I heard it on my radio”, “You made em laugh, you made em cry, You made us feel like we could fly”, “You had the power”, entre outros.
Tem uma ótima referência (“Through wars of worlds – invaded by Mars”) à Orson Wells e sua Guerra dos Mundos, que, através do rádio, causou uma comoção geral e pânico coletivo nos EUA com uma suposta invasão alienígina na Terra.
O vídeo original é feito com base nisso. Confira abaixo. Enjoy!
Muitas bandas de 1 só Hit de sucesso surgiram. Algumas duram até hoje.
Umas das músicas mais marcantes dos 80 também foi o único hit de Tommy Tutone
Acho que a maioria nem sabia o nome da banda, mas o telefone é inesquecível.
Que adolescente dos anos 80 nunca ligou para 867-5309 procurando a Jenny?
A história de Jenny
A música é sobre um cara que consegue o telefone de uma garota (Jenny) na porta de um banheiro. Ele fica sonhando sobre sair com ela, mas não tem coragem de ligar.
Eles compuseram a música, típico rock de 4 acordes, depois colocaram o número e o nome. Só depois tiveram a idéia “genial” de falar que o número estava numa porta de banheiro.
Coitados dos donos deste número nos EUA na época.
A música ficou por mais de 40 semanas no topo das paradas. Você pode imaginar a quantidade de desocupados que ligava o dia inteiro até achar uma Jenny.
Houve até um cidadão que teve o tempo de ligar para TODOS os 867-5309 dos EUA, descobrindo que a maioria deles estava desligado, provavelmente pelo excesso de trotes, mas também descobriu que vários deles tinham uma Jenny sim e, destes, alguns colocavam a própria música como gravação da secretária eletrônica.
A força deste hit é tão grande que, quase 30 anos depois, o número foi vendido no eBay por milhares de dólares por um DJ nos EUA.
Detalhe: não rendeu só isso pra ele. Ele descobriu que uma Jenny de verdade dava aquele número pra despistar os malas que pediam o telefone dela nos bares. Curiosa, um dia ela mesmo ligou para o número e o DJ atendeu, jogou um xaveco e partiu para o “abraço”.
O vídeo
O clip de Jenny é hilário! Estamos em 82, ela é uma bela loira, que dá o telefone para o vocalista da banda (Tommy) num restaurante. Ele fica maluco, mas trava e não liga. Trava tanto que vai para uma sessão de terapia, onde conta a história e fala do número de telefone que recebeu.
Mais tarde, Tommy vai até a casa da Jenny (como conseguiu o endereço, se não ligou?) e fica a observando furtivamente pela janela. Ele vê um homem dando uns amassos na Jenny. Quem é o cara? Ele mesmo, o terapeuta safado (guitarrista da banda).
O desfecho é fantástico: A polícia chega e prende Tommy. O clipe termina com a imagem dele sendo fichado. Adivinha o número do registro de prisão de Tommy …
Por ser tão característico dos 80, Jenny tem constantes e incontáveis referências em filmes, desenhos animados e covers dos mais diversos.
Além de tudo, 8675309 tinha que ser um número Primo?
Jenny rende dinheiro para Tommy até hoje. Veja uma apresentação ao vivo na TV, no ano passado. Enjoy!
Vídeo imperdível com cenas de vários Deuses Imortais da Guitarra, incluindo Chuck Berry, B.B. King, Johnny Cash, Albert King, Eric Clapton e, claro, Jimi Hendrix.
Tudo isso ao som de Little Wing, na interpretação clássica de Stevie Ray Vaughan.
A melhor versão cover de um dos maiores singles do Talking Heads conta com a voz de personalidade do veterano Tom Jones e com um momento especialmente inspirado de Nina Persson, vocalista da banda Sueca The Cardigans. Aqueles do single “Lovefool”.
Nina, quase irreconhecível de peruca loira, protagoniza a mais charmosa levantada de sombrancelha enquanto manda “Fighting fire with fire”, roubando completamente a cena de Tom Jones. Confira que vale a pena.
Sobre “Burning down the house”:
Incrivelmente, “Burning down the house” foi o único hit Top 10 nos EUA dos geniais Talking Heads.
Lançada em 1983, no álbum “Speaking in Tongues”, durante a fase do produtor Brian Eno, a música começou com o baterista Chris Frantz e a baixista Tina Weymouth (sua esposa) fazendo uma jam session instrumental. Os demais músicos da banda acompanharam e deu liga.
David Byrne, o Head dos Talking Heads, foi aos poucos colocando a letra de uma forma bem peculiar, cantando algumas palavras sem sentido durante a música até que pudessem se encaixar adequadamente na música.
O curioso é que essas palavras vinham de frases pré-definidas escritas num caderno e que eram usadas conforme a oportunidade, mesmo que soassem sem significado e sentido algum. Coisas de David.
Talvez essa seja a minha música preferida junto a Rock n’ Roll all Nite.
Já ouvi London Calling milhares de vezes, interpretada por diferentes músicos, mas achei esta versão especialmente boa.
O fato desta versão homenagear Joe Strummer, a alma do Clash, também contribuiu para que fosse a escolhida entre tantas.
Esta apresentação é o encerramento do Grammy 2003, poucos meses depois da partida de Joe. No início, Springsteen faz a dedicatória.
Imagens e referências à 2a. Guerra Mundial e à bandeira britânica no telão ao fundo criam um clima propício à música.
Dave Grohl e Van Zant estão bem à vontade. Mais confortáveis que Springsteen, que se esforça. Mas a energia de Costelo nos vocais é que realmente surpreende e faz a diferença. Vale conferir.
Enjoy!
Sobre London Calling:
Combinando os riffs punk-rock das guitarras de Mick Jones e Joe Strummer, a levada de reggae do baixo de Paul Simonon com a batida quase marcial de Topper Headon, London Calling é um clássico absoluto da música.
É também o nome do terceiro e melhor álbum do Clash, lançado em 14 de Dezembro de 1979. 4 dias depois que completei 5 anos de vida :)
A letra tem teor altamente apocalíptico e politizado, a começar pelo título: “London Calling” era a chamada utilizada pela BBC nos programas transmitidos para os países ocupados durante a 2a. Guerra Mundial.
Outra referência à situação mundial da época: “A nuclear error”: fazia menção a um acidente num dos reatores nucleares de Three Mile Island, nos EUA em 1979.
Uma preocupação no final dos anos 70 era que o rio Thames, que passa pelo centro de Londres, transbordasse, o que foi evitado com a construção de uma barragem. Isso fica claro em “London in drowing and I … live by the river”.
As questões sociais londrinas também preocupavam Joe & Mick, que compuseram a música, quando dizem: “we ain’t got no swing/ except for the ring of that truncheon thing” falando sobre os constantes protestos em Londres e “we ain’t got no high / except for that one with the yellowy eyes“, fazendo menção ao uso de substâncias entorpecentes.
O lado apocalíptico aparece claramente nas passagens “The Ice Age is coming, the Sun is zooning in”, “Engines stop running, the wheat is growing thin” e mesmo “a nuclear error”.
A música termina com um sinistro “I never felt so much a-like…”, inspirado em Pete Townshend do Who, com o som de uma transmissão de Código Morse ao fundo, para completar o clima.
London Calling não foi o maior hit do Clash, mas ocupa a honrosa 15a. posição na lista das 500 melhores músicas de todos os tempos pela Rolling Stone. Should I stay or should I go conseguiu apenas a 228a. posição.